PEDAÇOS DA MINHA VIDA


Já se foi mais de uma década, desde o dia em que eu decidi vencer muitos dos meus medos para partir e viver em um país estrangeiro.


Muitas águas rolaram e hoje eu estou aqui pra contar pra você um bocado de experiências, algumas boas e outras, nem tanto.

De qualquer maneira, sempre me inclino pelas boas experiências, quando agradeço a Deus, pela vida que levo.

Mas nunca esqueço que são as experiências ruins que me nos forçam a prestar atenção ao que, realmente importa sem perder a esperança e avançar.

Eu tinha 23 anos, quando me inscrevi para o serviço público e enquanto “servia” ao Estado, fui à faculdade de direito, na mesma época em que nascia minha filha, uma preciosidade em que eu precisava cuidar com esmero para transformá-la em um ser humano amoroso e estou segura que esta parte da minha vida está mais que cumprida.

Tempos depois, levando na barriga meu segundo filho fazia longas viagens muitas das quais, em que me sentava no chão do corredor do ônibus e recostava a cabeça no meu companheiro de viagem (meu travesseiro), uma mochila cheinha de livros e um sanduiche. Mas, tudo bem, dentro do meu macacão de grávida, eu me sentia mais elegante.


Depois de 10 a 12 horas entre uma cidade e outra, chegava na facul e seguia meu labor de universitária. Como era complicado fazer estas viagens todos os dias para cumprir com meu curso, minha especialização, enquanto estudante foram as constantes procurações que deixava com alguns colegas para que atuassem em meu nome. As noites de plantão, também, fizeram parte da minha epopeia. Até que um dia, vesti a toga e concluí meu curso.

Foram cerca de duas décadas para descobrir que algo teria que mudar na minha vida, algo que fizesse cantar meu coração.

Creio que este sentimento de mudanças veio junto com meu terceiro filho, quando me dei conta que as vezes, você caminha mais rápido, se vai sozinha sem pesos mortos. Epa! Não estou falando dos meus dois gigantes (G1 e G2) nem do meu bombom (filha linda que Deus me deu). Estou falando que, se tinha que fazer as vezes de pai e mãe, então, para que ter um homem na sua cama? Foi aí, quando cortei os laços de uma relação sem futuro.

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As vezes a vida nos golpeia forte, somente, para despertar em nós, o desejo de seguir lutando, apesar dos medos, apesar dos erros, apesar da dor e, nesse interim, o mais inteligente é nunca desistir dos nossos sonhos, você só precisa ir posicionando as velas para não se deixar atravancar pelo caminho e poder atravessar os encharques até chegar a bons portos.

Pelo caminho, fui descobrindo minha paixão pela comunicação, precisamente, quando me conscientizei que meus medos de falar em público me fizeram perder muitas oportunidades e decidi que o melhor seria subir no palco e, simplesmente, falar. Comecei a subir em muitos palcos, comecei a falar muito, pus à tona o gigante que estava adormecido em mim.

Que alegria senti, quando dei a minha primeira palestra e que felicidade senti, quando fui capaz de dar respostas às perguntas capciosas (sobretudo) porque havia entendido que estava pronta e que podia vencer qualquer guerra.

A maioria das minhas conferências serviram para motivar outras pessoas e ensinar-lhes que o medo é, apenas, um cisco que não lhe deixa enxergar o que você, todavia, não conhece. Aprendia e ensinava que o medo pode bloquear sua visão e que você pode baquear, se deixar ele tomar o comando.

Isso pode ocorrer sim, se você permitir que o medo leve o leme da sua vida, deixando você temeroso, deixando você incapaz de dar o salto que poderia lhe levar a um nível superior.

Mas, aprendi e ensinei, também, que o medo pode ser algo bom, também porque ele fazer você prestar um pouco mais de atenção aos cruzes do caminho, ele pode ser um indicador para você tomar o caminho mais acertado.

Se você quiser, o medo pode ser o farol, no qual, você apoia sua vista e prevê com melhor clareza o que está por vir.

Quando “saltei no vazio”, vencendo alguns dos meus medos para viver em um país estrangeiro, eu vim com a minha mochila vazia, extremamente assustada e sem um tostão no bolso, literalmente, sem lenço e sem documento. ​Entretando, eu coração estava cheio de esperanças e sonhos que, com o tempo, foi se transformando em planos e em amigos.


Durante os 4 primeiros anos, me vi sozinha, sentia uma saudade imensa da minha gente, dos abraços amorosos dos meus filhos e do colo protetor da minha mãe.

Entre minhas decisões e minha condição de mulher estrangeira eu tinha uma certeza absoluta, eu tinha a certeza de que eu não aceitaria menos que voar, eu não aceitaria menos que crescer e vencer.

Mas, o escudo e a espada que sempre levei por diante foi de que eu não seria menos a mulher que sou, a mulher que não admite ser, somente, beleza porque somos muito mais que isso.

A mulher que não pode aceitar ser, somente, um corpo bonito porque somos, também, cabeça e alma.

A mulher que jamais admite ser incapaz de construir a fortaleza que lhe protege das tormentas, a que jamais aceita a incapacidade de derrubar o murro que lhe impede de mostrar seu valor.

A mulher que jamais consente que não pode (qualquer coisa).

A mulher que sabe que não importe o que passe, se ela não desistir, ela vai chegar lá...seja lá onde ela queira chegar.


Longe de casa e sozinha, eu precisava encontrar o meio de sentir-me próxima dos meus seres mais queridos e a internet me ajudou muito, neste momento. Com o tempo, comecei a ver que a internet não precisava ser, apenas, uma pílula pra serenar a saudade que sentia.

Fui descobrindo outras coisas como, por exemplo, que a internet podia ser um excelente instrumento de trabalho, sem esquecer que o toque físico será sempre mais poderoso que qualquer máquina.

Por isso, nunca uso a internet para perder meu tempo com bobagens. Prefiro utilizá-la como o meio para melhorar minhas habilidades e ser eu mesma, o próprio meio, convencida de que o que quer que eu fale, seja benéfico para alguém, nesse mundão interativo de Deus. Ser o meio, simplesmente, para aproximar-me de gente que não consigo alcançar com meus braços. O meio para ganhar a vida. O meio para falar com você, agora.

Como é incrível, cada vez que me dou conta das tantas coisas que realizei e de tantas pessoas que passaram a meu lado. Sei que, algumas vezes, precisei quitar “mortos viventes” do meu barco para quitar pesos e deixar minha embarcação mais leve para navegar mais rápido, foi preciso jogar fora algumas coisas ou deixar para trás, algumas pessoas.

Outras pessoas, porém, jamais deixarão de habitar nessa minha embarcação. É impossível! Fui encontrando outros, pelo caminho e puxando um a um para navegar a meu lado. Alguns disseram “não”, outros disseram “sim”. Obviamente, os “SIM” seguem comigo, somam comigo e posso lhe dizer que, poucas vezes, me equivoquei nessas escolhas.

Fundei uma empresa, presidi uma entidade social, abandonei o serviço público, me fiz autônoma, escrevi um livro, comecei de novo, estudei turismo e gastronomia, pensei em desistir (mas, não desisti).

Quando passou na minha cabeça que devia plantar uma árvore e ter a esperança de vê-la florescer, pensei: Mas, peraí! Eu já plantei algumas árvores e as vejo florescer todos os dias, através dos meus três filhos. Eles são a melhor representação de que eu tenho cumprido a trilogia do bem viver.


Já fiz tantas cosas e gostaria de fazer outras tantas, antes de ir-me. Daqui por diante, me importa muito mais, somar minhas experiências às experiências de outras pessoas do que meter-me em discussões inúteis que não me levarão a nada, apenas, desgastarão minha pele, meu coração e minha alma.

Quando quero realizar alguma coisa, eu penso assim: "POR QUÊ EU QUERO FAZER ISSO?". Então, penso por uns 5 minutos sobre as coisas que a vida me ensinou e sobre as coisas que aprendi com a sabedoria de gente “"grande”.

​Fui descobrindo que, sempre com muita dedicação e trabalho duro, quaisquer coisas que você faça deve se fundamentar em SONHOS ARDENTES que se transformem em PLANOS DE VIDA e com a CONVICÇÃO de que estes planos beneficiarão a outras pessoas.

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O que me mantêm sobre a margem até hoje, são os valores que meus país me inculcaram, a HONESTIDADE, a INTEGRIDADE, a GRATIDÃO (somente para citar alguns...) e passo este legado para meus três filhos, todos os dias.

Estas são as minhas fortalezas, o que me protege das ameaças, em tempos de chuva torrenciais e fortes ventos.

​As ameaças? Quando elas "flambeam” como uma bandeirola insistente, eu respiro fundo e choro copiosamente.

Mas, não perco muito tempo com prantos e penso que o melhor é mudar o rumo dos meus pensamentos. E é, exatamente, o que eu faço, deixo para trás a espuma que se forma na calda do meu barco e pirilampeando, vou em frente com a mirada firme no horizonte.

As debilidades? São muitas e desejo tê-las sempre presentes porque no dia em que você pensar que não tem debilidades, então você vai acreditar que não precisa aprender mais nada. Isso é triste, muito, muito triste e é um tremendo e monstruoso erro, você descobrir que se transformara em um morto vivente, que não precisa aprender nada mais, que não pode nada mais. Que está morto, enquanto vivo está.


Quando você sente que sua mochila pesa, abra a mochila, jogue fora o que não serve e fique com as experiências enriquecedoras.

A oportunidade que você tem para compartilhar tudo isso com alguém ou por acaso, você acha que o que você aprender deve ser esquecido como um tesouro perdido ou para usufruir em solitário? Por Deus, que bobagem é essa?!


A ideia é a seguinte: Aprendeu algo novo? Compartilhe com outra pessoa, semeie a terra com suas boas sementes, porque sempre haverá alguém olhando para você e aprendendo algo poderoso para mudar de vida, algo que, se você compartilhar, deixará de ser um e se multiplicará, entendeu?

Compartilho muito do que aprendo e aprenderei muito do que você pode me ensinar porque a vida é isso. O resto é besteira.


Se você chegou até aqui, MUITO OBRIGADA! A minha maior querência é que este seja, apenas, o princípio de uma bela relação.


Um bocado de beijos

Luci Cavalcanti

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